Falta pouco para o primeiro turno. A eleição de 4 de outubro vai definir governo federal, estados e Congresso, a campanha está na reta final e o clima é de polarização. A cobertura não para, nem na imprensa nem nas redes, e as reportagens dos últimos meses vêm descrevendo o efeito disso na cabeça das pessoas. Mais uma vez, ansiedade, estresse, esgotamento, brigas no grupo da família, no trabalho, na internet estão presentes.
Diante desse cenário, especialistas em saúde mental têm recomendado publicamente que as pessoas se protejam. Limitar horários de noticiário, reduzir a exposição ao conteúdo que só provoca indignação, preservar pedaços da rotina sem política. Só que o voto no Brasil é obrigatório e há quem argumente o contrário, que este é justamente o momento de se informar mais, não menos. Para completar, estamos em Setembro Amarelo, o mês de conscientização sobre a prevenção ao suicídio e a valorização da vida, que mantém a saúde mental em evidência.
Se afastar das notícias para proteger a cabeça é autocuidado ou é abrir mão de participar de uma decisão importante do país?
A gente colocou o Brasil simulado para debater. Rodamos um estudo no Torapredict com vinte cidadãos sintéticos montados para espelhar a população adulta brasileira, pelo Censo 2022 do IBGE, debatendo o tema a partir de matérias da imprensa e busca na internet, a uma semana do primeiro turno.
Quase ninguém foi para os extremos. Três em cada quatro cidadãos terminaram numa posição intermediária, a de quem continua acompanhando a eleição, mas com filtro. Poucas fontes, frequência controlada, foco nas propostas. O grupo que defendia acompanhar tudo o tempo todo, por dever, ficou com 15%. E o afastamento total das notícias, que parecia a saída óbvia de autocuidado, foi a posição que pior se saiu, com 9%. Prevaleceu o entendimento de que quem se desliga de tudo não se protege de verdade, apenas deixa que os outros decidam por ele.
O relatório traz as narrativas que ganharam força nos debates, os argumentos que atravessaram as cinco execuções sem resposta, os três grupos que se formaram, as mensagens que funcionam e as que afastam para quem se comunica sobre o tema.
Leia o estudo completo e veja como cada conclusão se sustenta, fala a fala.
Este texto trata de saúde mental. Se você ou alguém próximo precisar de apoio, o CVV atende de graça, a qualquer hora, pelo telefone 188 e por chat em cvv.org.br.
